Colonização, o ofício da morte
Tudo o que é diferente causa estranheza e muitas vezes repúdio. Sempre foi assim, e assim sempre seguiu o repúdio a condição de julgar tal cultura, comportamento, povo ou raça, como inferior ou superior. O exemplo mais claro dessa arbitrariedade foi a dominação européia na América. Os povos que se encontravam à esquerda do pacífico foram considerados inferiores à civilização do Velho Mundo.
Os europeus vieram em busca de riqueza, principalmente metais preciosos. Quando Colombo aqui chegou, em 1492, não se sabia se eram as Índias ou um novo continente. Mas o objetivo de explorar o lugar já era certo.
Ao chegar neste continente, os europeus encontraram povos com culturas estranhas, de total conflito com a ordem católica e os costumes greco-romanos. A incompatibilidade cultural foi pouquíssimas vezes resolvida com tolerância; sangue, morte e massacres formaram os degraus da dominação e ladrilharam por 3 séculos o caminho da convivência.
Os índios foram as primeiras vítimas, tanto nas colônias espanholas como no Brasil. Até as culturas mais complexas, como maias, astecas, incas e tupi, foram dizimadas .
Relatos do dominação espanhola são marcados por destruições e mortes, como o feito pelo frei Bartolomé de Las Casas. “ Os espanhóis começaram a praticar crueldades estranhas(...)não poupando nem as crianças e os homens velhos, nem as mulheres grávidas e as parturientes, e lhes abriam o ventre e as faziam em pedaços(...). Faziam apostas sobre quem, de um só golpe de espada, fenderia e abriria um homem pela metade ou quem, mais habilmente e mais destramente, de um só golpe lhe cortaria a cabeça, ou ainda sobre quem abriria melhor as entranhas de um homem, de um só golpe”.
Tão crítico como o massacre era, por muitos, a aprovação desses atos, por ver os nativos como inferiores. “Quanto a mim, eu acreditaria antes que Nosso Senhor permitiu, devido aos grandes, enormes e abomináveis pecados dessas pessoas selvagens, rústicas e animalescas, que fossem eliminadas e banidas da superfície terrestre”. Esse trecho, do cronista Gonzalo Fernandes de Oviedo, expõe, de forma categórica, a pior das considerações feitas sobre o episódio: matou-se com a consciência limpa.
Fonte: Mecanismos da conquista colonial. São Paulo, Perspectiva, 1973, pag. 76 – O paraíso destruído, Porto Alegre, LE-PM, 1985, pag 32
Os europeus vieram em busca de riqueza, principalmente metais preciosos. Quando Colombo aqui chegou, em 1492, não se sabia se eram as Índias ou um novo continente. Mas o objetivo de explorar o lugar já era certo.
Ao chegar neste continente, os europeus encontraram povos com culturas estranhas, de total conflito com a ordem católica e os costumes greco-romanos. A incompatibilidade cultural foi pouquíssimas vezes resolvida com tolerância; sangue, morte e massacres formaram os degraus da dominação e ladrilharam por 3 séculos o caminho da convivência.
Os índios foram as primeiras vítimas, tanto nas colônias espanholas como no Brasil. Até as culturas mais complexas, como maias, astecas, incas e tupi, foram dizimadas .
Relatos do dominação espanhola são marcados por destruições e mortes, como o feito pelo frei Bartolomé de Las Casas. “ Os espanhóis começaram a praticar crueldades estranhas(...)não poupando nem as crianças e os homens velhos, nem as mulheres grávidas e as parturientes, e lhes abriam o ventre e as faziam em pedaços(...). Faziam apostas sobre quem, de um só golpe de espada, fenderia e abriria um homem pela metade ou quem, mais habilmente e mais destramente, de um só golpe lhe cortaria a cabeça, ou ainda sobre quem abriria melhor as entranhas de um homem, de um só golpe”.
Tão crítico como o massacre era, por muitos, a aprovação desses atos, por ver os nativos como inferiores. “Quanto a mim, eu acreditaria antes que Nosso Senhor permitiu, devido aos grandes, enormes e abomináveis pecados dessas pessoas selvagens, rústicas e animalescas, que fossem eliminadas e banidas da superfície terrestre”. Esse trecho, do cronista Gonzalo Fernandes de Oviedo, expõe, de forma categórica, a pior das considerações feitas sobre o episódio: matou-se com a consciência limpa.
Fonte: Mecanismos da conquista colonial. São Paulo, Perspectiva, 1973, pag. 76 – O paraíso destruído, Porto Alegre, LE-PM, 1985, pag 32

1 Comentários:
a história sempre é contada pelo ponto de vista dos europeus, apesar da tentativa da proteção, poucos brasileiros sabem um pouco sequer sobre a cultura dos brasilis. é triste.
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